
A menor inflação para um mês de janeiro desde 1994 transformou-se na maior inflação para um mês de fevereiro desde 2003. O principal fator por trás da desaceleração em janeiro foi o impacto do Bônus Itaipu, que reduziu significativamente os custos da energia elétrica residencial. No entanto, esse efeito se reverteu em fevereiro, resultando em uma forte alta nos preços administrados que passou de queda de 1,52% para alta de 3,16%. Além disso, o reajuste das mensalidades escolares, característico do período, também contribuiu para a aceleração inflacionária com o avanço de 0,26% para 4,70%.
Os dados vieram em linha com as projeções do mercado, com destaque para um leve alívio na média dos núcleos, nos serviços e na difusão da inflação em avaliação mensal. Esse cenário reforça a perspectiva de desaceleração da atividade econômica. No entanto, a trajetória da política monetária do Banco Central permanece inalterada. Há consenso de que, na próxima semana, a Selic será elevada em 1 ponto percentual, alcançando 14,25%. Embora essa magnitude de aperto seja significativa, é preciso considerar que a inflação acumulada em 12 meses já atinge 5,06%, enquanto, no ano, chega a 1,47%. Em apenas dois meses, a inflação já corresponde a praticamente metade da meta de 3% estipulada pelo Banco Central para o ano.

